Perspectivas agrícolas 2011-2020

01/08/2011 13:43

 

O estudo conjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), denominado Perspectivas Agrícolas 2011-2020, traz projeções em termos de produção, consumo, mercados, estoques, preços para os principais produtos agrícolas e, abrange, pela primeira vez, os produtos de pesca e aquicultura
 

O trabalho tomou como base um horizonte de desaceleração do crescimento populacional, dólar fraco, preços de energia em elevação e uma inflação moderada. Os preços do milho e carnes, continuarão a subir na próxima década, alavancados pelo aumento do consumo e dos custos de produção e pela desaceleração do aumento da produtividade rural.

Com base nas análises, o Brasil terá um papel importante na produção mundial de grãos, lácteos, carnes, açúcar e consolidará uma participação crescente no mercado mundial de commodities agrícolas.

Esta síntese enfocará os cereais, grãos, açúcar, produtos lácteos e carnes.

Cereais

Em 2010, a produção mundial de cereais (trigo e cevada) foi surpreendida pela grave estiagem na Federação da Rússia, Ucrânia e as inundações na Austrália levaram os países a suspender as a exportações e, consequentemente, ao aumento dos preços.

No caso do milho, as menores produtividades, o nível de estoque baixo registrado nos Estados Unidos bem como a demanda global sem sinalização de queda, levaram os preços do milho a ultrapassar os recordes de 2008.

Os preços mais elevados do milho e da soja contribuíram para sustentar os preços internacionais de outros cereais, particularmente do trigo. A diferença de preço entre o trigo e o milho deverá reduzir em escala mundial, a relação trigo/milho pode atingir 1,2 em 2020 contra 1,4 da década precedente.

Embasados nas projeções, a produção mundial de cereais deverá continuar a aumentar gradualmente até o final do período 2011-2020. Os estoques deverão aumentar um pouco, mas a relação estoque/consumo deverá ficar acima das médias históricas, haja vista o aumento da produção mundial.

A produção mundial de trigo tem estimativa de alcançar 746 milhões de toneladas em 2020, cerca de 11% superior ao período de referência 2008-2010. Já o crescimento da área deverá ser modesto: 2% superior em 2020 em relação ao período de referência. Deverá ser na Federação da Rússia, na Ucrânia e no Cazaquistão que será mais pronunciada.

A média mundial da produtividade do trigo não deverá aumentar mais que 0,8% ao ano

Já a produção mundial de cereais secundário (arroz) deverá alcançar 1,32 milhão de toneladas em 2020, ou seja, uma alta de 18 relativamente ao período de referência (2088-2010), com crescimento mais significativo na Argentina, Brasil, China, nos Estados Unidos, na Federação da Rússia e na Ucrânia.

O aumento da área cultivada deverá ser mais forte em 2020, sobretudo no Brasil, Argentina e Canadá e também nos países da África. AS projeções apontam uma produção de arroz de 528 milhões de toneladas em 2020, a razão de 1,3% ao ano.

Do lado do consumo, as projeções apontam um volume de 746 milhões de toneladas de trigo em 2020. Já a consumação por habitante deverá permanecer no entorno de 66 kg/por habitante. As projeções para a consumação animal apontam para um volume de trigo de 145 milhões de toneladas em 2020.

As importações de trigo pelos países em desenvolvimento deverão aumentar 2,1% ao ano, o que deverá somar 120 milhões de toneladas em 2020. O maior aumento em volume deverá acontecer na Arábia Saudita, no Brasil, no Egito e na Nigéria.

Grãos
 

 

A cadeia de grãos atravessou um período de turbulência, caracterizado pela forte volatilidade dos preços. Após a queda de preços registrada em 2008, os preços começaram uma trajetória de alta em 2009, reflexo dos estoques mundiais ajustados, da retomada de crescimento da demanda (ao final da crise econômica mundial) e das aquisições dos países importadores.

A produção de grãos deverá apresentar uma expansão de 23% no período das projeções, o que representa um crescimento mais lento que na década passada. Este crescimento deverá ser acompanhado de um crescimento das áreas cultivadas que dos ganhos de produtividade. Os Estados Unidos permanecem como o grande fornecedor do mercado mundial de oleaginosas, seguidos pelo Brasil, China, Argentina, Índia e União Europeia.

O crescimento do comércio mundial de grãos deverá se desacelerar consideravelmente. Pelo lado das importações, as aquisições da China deverão registrar um aumento mais lento que o atual. Entretanto, a China continuará a dominar o comércio internacional, suas aquisições representaram a metade das importações mundiais em 2020. Já na Argentina e no Canadá, as vendas de grãos deverão permanecer estáveis, haja vista suas capacidades de esmagamento, e portanto suas exportações de óleos e de farelos com maior valor agregado, vão aumentar. Apenas alguns exportadores emergentes como Paraguai, Ucrânia, a Federação da Rússia e o Uruguai deverão ter suas exportações de grãos aumentadas. Por outro lado, Estados Unidos e Brasil deverão continuar como principais fornecedores do mercado mundial de grãos oleaginosos.

Os países em desenvolvimento da Ásia, Índia e China, representarão quase a metade das importações mundiais de óleos vegetais em 2020. Na média, no entorno de 45% do consumo dos países asiáticos será asseguradas pelas importações.

Açúcar

O quadro mundial do açúcar permanece marcado por uma forte volatilidade de preços. O preço mundial de referência do açúcar bruto registrou em 2010 uma sucessão de picos e de correções de base antes de alcançar, em fevereiro 2011, seu nível mais elevado após 30 anos.

Os fundamentos de mercado que originaram a volatilidade de preços foram os déficits mundiais de açúcar de duas safras precedentes e as condições meteorológicas adversas em determinados países produtores.

Os estoques mundiais que já estavam baixos, caíram em 2010-2011 para os níveis mais baixos em 20 anos, contribuindo para a volatilidade dos preços. Os preços internacionais do açúcar devem cair até o final de 2011, como também em 2011-2012.

A produção mundial deve reagir à recente alta de preços, o que permitirá a recuperação dos estoques. Consoante as projeções, o preço do açúcar bruto em valor nominal deverá aumentar para US$ 408,00 por tonelada em 2020-21 e não deverá atingir os picos históricos do início do período analisado, mas permanecer, em média, em nível mais elevado sem relação à década precedente.

Conforme as projeções, a produção mundial deverá atingir mais de 209,4 milhões de toneladas em 2020-21. O volume de produção será assegurado pelos países em desenvolvimento, particularmente, o Brasil.

O Brasil, um dos grandes produtores mundiais de açúcar, onde os custos de produção são menores e que tem a capacidade de desenvolver, em grande escala, a área destinada à cana-de-açúcar, considerando o crescimento previsto de etanol, terá um papel fundamental na produção mundial de açúcar.

As entidades parceiras salientam que o Brasil, primeiro produtor mundial de açúcar, doravante terá o poder de decidir os preços no mercado mundial. Os preços internacionais do açúcar estão, geralmente, correlatos ao nível relativamente baixo dos custos de produção.

Os custos de produção de açúcar no Brasil, e também em outros grandes exportadores que são a Austrália e a Tailândia, aumentaram recentemente devido à apreciação monetária vis à vis ao dólar americano.

A importância da produção brasileira de açúcar, assim como sua participação na produção de etanol e produção de açúcar, são os principais fatores que sustentam a projeção de preços internacionais do açúcar no horizonte 2020-21.

Já o consumo mundial, por conta da elevação dos preços, deverá aumentar mais lentamente, podendo alcançar 207,5 milhões de toneladas em 2020-21 Quanto às exportações mundiais de açúcar, o Brasil deverá consolidar sua posição de primeiro exportador mundial e assegurar no entorno de 55% das trocas internacionais e mais de 63% de todas as exportações suplementares de açúcar até o final do período analisado.

A recente escalada de preços do açúcar pode ser traduzida por melhor rentabilidade e deverá desencadear novos investimentos antes do final desta década. O estudo ressalta o ciclo produtivo da Índia que deverá iniciar sua fase descendente levando o país a déficit de produção e obrigando o país a importar grandes volumes de açúcar para atender suas necessidades internas de abastecimento.

Logo, uma nova alta de preços é prevista para 2015-2016. Com isso, a fase crescente de preços retomará, iniciando um novo ciclo preços altos em 2017-18.

Produtos Lácteos

As projeções foram efetuadas a partir dos conflitos geopolíticos na África do Norte e no Oriente Médio, do tsunami no Japão e a acomodação da economia mundial em relação aos aumentos dos custos de energia.

Após uma forte alta em 2007, uma disparada em 2008, em seguida uma queda brusca em 2009, os preços internacionais dos produtos lácteos se estabilizaram num patamar mais elevado na maior parte de 2010.

Depois da correção dos preços mais elevados para 2011, os preços internacionais dos produtos lácteos devem aumentar em termos nominais e ficar relativamente estáveis em preços reais. Na média, estima-se que os preços reais no mercado mundial sejam 10% (leite em pó desnatado) a 40% (manteiga) mais altos no decorrer do período analisado em relação à década passada.

Passada a estagnação em 2009, a produção leiteira deverá crescer em 2010 e aumentar em torno de 2% ao ano nos três anos seguintes e originando um novo ciclo de preços baixos. Os preços em baixa, o aumento da produção deverá perder força após 2013.

O ritmo de crescimento da produção nas regiões produtoras é função da situação de mercado, da ação pública, a relação entre o preço do leite e o preço da ração animal, a questão da água e as adversidades climáticas. Considerando o aumento dos preços de energia e das rações, os sistemas de pastagens, por exemplo na Oceania e na América Latina, deverão ter aumentadas suas vantagens comparativas em relação àqueles dos sistemas intensivos, porém permanecem reféns das condições meteorológicas.

Nova Zelândia: após registrar um reco em 2010, consequência das adversidades climáticas, a produção leiteira deverá aumentar rapidamente nos próximos anos. A conversão de ovinos e bovinos de corte em pecuária leiteira deverá prosseguir, principalmente no sul.

América Latina: a produção argentina de leite alcançará níveis recordes, resultado dos investimentos efetuados e de uma gestão da propriedade. Com isso, é estimado um crescimento de 3% ao ano.

Brasil: embasados nas projeções, a produção brasileira de leite deverá crescer a uma taxa de 1,7% ao ano, estimulado pelo aumento do consumo interno. As margens de lucro, atualmente comprimidas pelos elevados preços da ração e um real forte, deverão crescer se, como se supões, a moeda brasileira seja depreciada, o custo de alimentação animal diminuía e a produtividade continue a crescer.

União Europeia: sob a pressão dos aumentos dos preços pagos aos produtores, o setor retorna a apresentar rentabilidade e a “crise leiteira” que abalou o mercado interno ficou para trás. Apesar do bom momento de preços recebidos, já os preços de custos deverão dificultar uma reação da oferta. Após a abolição das cotas, em 2015, a produção de leite deverá continuar a crescer a uma taxa anual de 0,3% ao ano.

Estados Unidos: a relação entre os preços do leite e os preços da ração ficou mais favorável comparativamente com o nível de 2009 (contribuiu para o declínio da cadeia leiteira). Apesar de uma retomada pontual no curto prazo, há sinalização do efeito de vacas leiteiras permanecerem em baixa e se caminhar para uma diminuição a médio prazo. A produção leiteira deverá aumentar a uma taxa média anual de 1,4%.

Em comparação ao período de referência (2008-10), as projeções apontam que a produção de leite em pó, manteiga e produtos lácteos deverá aumentar 26%, e a de queijo e leite desnatado 19% e 15%, respectivamente. A participação da Nova Zelândia e Estados Unidos na produção mundial deverá ser de 10% Já a alta na produção de leite desnatado será alavancada pela Nova Zelândia (33%), Estados Unidos (24%) e Índia (18%).

Quanto à produção mundial de queijo, a União Europeia e os Estados Unidos continuarão a ocupar lugar de destaque, respondendo por um terço do total. Consoante às projeções, a produção de leite integral em pó deverá aumentar na Nova Zelândia, consequência da alta da produção leiteira no país. A China e a Nova Zelândia respondem por 30% do crescimento total da produção mundial de leite integral em pó.

Com relação ao consumo mundial, considerando o crescimento demográfico e a alta da renda e a preferência do consumidor pelos lácteos, notadamente nos países em desenvolvimento, são os fatores responsáveis pelo aumento da demanda.

Os autores entendem que a demanda por leite e produtos lácteos permanece forte em importantes mercados em desenvolvimento como a África do Norte, Oriente Médio e oeste asiático. E igualmente nos mercados mais maduros , principalmente na União Europeia, Estados Unidos e Rússia. Os consumidores continuarão atentos à segurança alimentar e nutrição.
 

 

Carnes

As perspectivas referentes ao mercado de carnes na próxima década consideram a manutenção dos custos elevados de alimentação animal. De acordo com as projeções, o crescimento da produção mundial de carnes, haja vista a alta dos custos de produção no período analisado, deverá diminuir e cair para 1,8% ao ano contra uma taxa anual de 2,1% na década anterior.

Os ganhos de produtividade obtidos graças às fortes economias de escala e de melhoramento na eficiência tecnológica constituem o principal motor de crescimento, sobretudo da produção de aves e de carne suína nos países em desenvolvimento.

Comparativamente à década passada, o crescimento do consumo de carnes será mais lento no período abrangido pelo estudo. O aumenta da demanda dever-se-á em maior parte às economias da Ásia e da América Latina, como também nos países exportadores de petróleo.

Os preços das carnes que alcançam níveis sem precedentes em 2011, deverão se manter durante o período analisado. Os preços das carnes bovina e ovina, em termos nominais, ultrapassarão respectivamente 18% e 20% em 2020, relativamente aos vigentes no período de referência (2008-2010), enquanto os preços da carne suína aumentarão de 26%, e os preços da carne de aves em 16%.
 
As exportações de carne bovina, no período analisado, deverão crescer a uma taxa de crescimento anual de 1,8% contra 2,9% ao ano na década passada. Esta expansão será puxada por Estados Unidos, Brasil e Canadá. O Brasil consolidará sua posição de primeiro exportador mundial com um volume de 2 milhões de toneladas em 2020.

Os Estados Unidos aumentará as exportações, haja vista, o maior acesso aos mercados do Pacífico. No caso da carne suína, a abertura de mercado terá por efeito aumentar a concorrência entre os pecuaristas brasileiros e europeus.

Em 2020, consoante às previsões, os volumes exportados destes países (Brasil e Estados Unidos) serão superiores àqueles registrados antes da crise originada pela doença da “vaca louca”.

Enquanto isso, na Argentina, as restrições à exportação continuarão a limitar as trocas. Os dois maiores exportadores mundiais – Estados Unidos e Brasil fazem parte de circuitos diferentes, e seus preços nem sempre seguem as mesmas tendências. Finalmente, os custos ambientais da produção de praticamente todas as carnes têm aumentado significativamente, e a colocação em prática das novas leis obrigando a assegurar a produção visando à proteção do meio ambiente, poderá frear o crescimento do setor.

Preços

Os preços dos produtos agrícolas básicos aumentaram significativamente em agosto de 2010, quando a menor safra em zonas produtoras tradicionais. As análises estatísticas efetuadas no estudo apontam as incertezas quanto às projeções de preços que dependem de hipóteses subjacentes e sugerem que o risco de ocorrer preços mais elevados é mais significativo que preços mais baixos.

As análises confirmam ainda que as flutuações na produção nos países grandes produtores e exportadores foi uma das principais causas da volatilidade internacional. Em 2010, a seca e os incêndios na Rússia e na Ucrânia, assim como as excessivas precipitações nos Estados Unidos, mostraram a rapidez com a qual os mercados podem ser desestabilizados.

O estudo ressalta também que as variações de produtividade devidas à meteorologia e mudanças climáticas deverão ser no futuro, um forte propulsor para a volatilidade dos preços. A OCDE e a FAO projetam que os preços dos produtos agrícolas básicos deverão se manter em nível superior àquele da década precedente. A volatilidade dos preços gera incerteza e riscos para os produtores, a indústria, os consumidores, enfim para todos os atores das respectivas cadeias produtivas.

Os autores salientam o fato que preços médios mais elevados são esperados e poderão resultar em investimentos necessários para que a produção responda à demanda crescente. Entretanto, um nível elevado de preços poderá igualmente ocasionar importantes preocupações referentes ao aumento da insegurança alimentar.

Custos de Produção, Produção e Produtividade

Os custos de produção apontam evolução e o crescimento da produtividade deverá crescer menos que na década anterior. Os fatores que pressionam o custo de produção são: o preço da energia e a alimentação animal. O estudo estima que os custos dos alimentos, em média, deverão subir 50% nas carnes (frango) e 20% nos cereais (milho).

O trabalho tomou como base um horizonte de desaceleração do crescimento populacional, dólar fraco, preços de energia em elevação e uma inflação moderada. Ademais, as terras disponíveis para a agricultura na maior parte das tradicionais regiões produtoras estão limitadas.

Com isso, o crescimento da oferta deverá passar para as regiões menos desenvolvidas e para a utilização de terras marginais, menos férteis e mais expostas aos riscos de condições meteorológicas desfavoráveis.

A produção agrícola mundial deverá crescer, em média, 1,7% ao ano, contra uma taxa anual de 2,6% da década passada. As culturas de soja e milho, deverão ter um crescimento menor.

Já a pecuária manterá o ritmo dos últimos anos. A OCDE e FAO preveem a continuidade da mudança de mercados agrícolas de países desenvolvidos para países em desenvolvimento.

Diante disso, a América Latina juntamente com o Leste Europeu, deverão ser supridores cada vez mais importantes. O Brasil e a Argentina deverão manter o crescimento em oleaginosas, cereais e gado de corte. Por outro lado, na América do Norte, os Estados Unidos, serão a única região de alta renda a expandir o setor agrícola.

Já a Europa Ocidental deverá perder competitividade e produção, por pressões ambientais, custos e limitação de terras. Pelo lado da demanda, o crescimento populacional e o aumento da renda na China e Índia, deverão sustentar as aquisições de commodities agrícolas, sustentadas pelo aumento do consumo de arroz, carnes, óleos vegetais e açúcar.

O estudo salienta que “nem sempre o incentivo trazido por cotação internacional elevada chega ao bolso dos produtores, haja vista os entraves que acontecem ao longo da cadeia produtiva”.Biocombustível

A estimativa para 2020, aponta que 13% da produção mundial de cereais secundários, 15% da produção de óleos vegetais e 30% da produção mundial de cana-de-açúcar deverão ser canalizadas para a produção de biocombustível.

Os Estados Unidos conservarão sua posição de primeiro produtor e consumidor mundial de etanol. Conforme o estudo, o etanol a partir da cana-de-açúcar tornar-se-á mais competitivo que em 2010 e as exportações brasileiras se restabelecerão nos primeiros anos do período abrangido no estudo. Já a União Europeia será de longe, o maior produtor e utilizador de biodiesel.

Alguns países em desenvolvimento, como Argentina, Malásia e Tailândia, poderão representar um papel importante em termos de exportações de biodiesel.

Os preços do petróleo bruto deverão seguir em alta em 2011 e logo após estabilizar, em termos reais, no restante do período analisado. Em termos reais, o preço do petróleo deverá alcançar US$ 107/barril até 2020. O biodiesel registrará a maior alta, o que deverá trazer as relações entre os preços do biodiesel, óleos vegetais e petróleo bruto para níveis próximos a 2007.

De acordo com o estudo, eles ultrapassarão em 80%, em média, no caso do etanol e de 45% em média, no caso do biodiesel os preços registrados na década passada. No Brasil, os investimentos em produção de etanol devem ter continuidade e a produção a partir da cana-de-açúcar deverá crescer rapidamente durante o período analisado, a uma taxa de 6% ao ano, a fim de atender a demanda interna e externa.

Frente a isso, de acordo com as projeções, o Brasil se tornará o segundo maior produtor de etanol, com uma participação de 33% na produção mundial em 2020. Com relação ao mercado, no entorno de 7% da produção mundial de etanol deverá ser canalizada para exportação em 2011-2020.

 

FONTE: 

Faep - Federação da Agricultura do Estado do Paraná